25.11.2014

Deputado contesta matérias que ligam morte de indígena à disputa por terras

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A publicação de matérias tendenciosas e inverídicas pela imprensa nacional e internacional - associando a morte da indígena Marinalva Manoel, de 27 anos, aos conflitos de terras em Mato Grosso do Sul - levou o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) à tribuna na sessão ordinária desta terça-feira (25/11), realizada em Campo Grande. 

O democrata desmentiu a informação de que a morte de Marinalva Manoel tivesse alguma ligação com os produtores rurais da região. “Falaram que ela era liderança guarany-kaiowá, da terra indígena Ñu Porã/Mudas MS (localizada na margem da BR-163, próximo ao restaurante Canoa), que havia participado de protesto no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília, e que seu assassinato estava relacionado à questão das disputas de terras entre índios e produtores rurais. Tudo inverdade”, afirmou o parlamentar.

Zé Teixeira possuía em mãos o inquérito realizado pela Polícia Civil de Dourados, que apura o crime. “Nós tivemos acesso ao inquérito policial, em que o cacique Valdemir Cáceres, da aldeia Ñu Porã, se comprometeu em falar a verdade. O cacique afirmou que Marinalva nunca morou lá, que nunca foi líder de nada e nem esteve em Brasília. Disse, também, que ela e seu namorado viviam em ‘pé de guerra’ e que ele seria o autor do crime”, emendou o democrata.

O deputado contestou a forma sobre a abordagem do caso, feita pela imprensa nacional. “Jornais como Rede Sustentabilidade, Folha de São Paulo e até um deputado federal da Paraíba, Luis Couto (PT), relacionaram o assassinato à classe produtora. Não há qualquer ligação com o conflito de terras e muito menos com o setor produtivo. O que aconteceu foi uma briga entre eles (fato que ocorrido com frequência em aldeias sul-mato-grossenses) e ponto final. Estas notícias têm denegrido a imagem do Estado”, ressaltou o parlamentar.

Teixeira aproveitou e chamou a atenção para o descaso com os povos indígenas de Mato Grosso do Sul. “É vergonhoso ver nossos índios serem representados por funcionários de outros estados, como o senhor Edson Alvez Monteiro, técnico agrícola lotado na coordenadoria da Funai, na cidade de Ji-Paraná, em Rodonia. Mas, acho pior mesmo é ver que os nossos indígenas não tem perspectiva alguma de crescimento, são tratados com muito descaso pelo Governo Federal e as vezes feitos de massa de manobra por ONGs nacionais e internacionais – que fomentam a prática de atividades ilegais”, concluiu o parlamentar.

Marinalva Manoel tinha 27 anos e foi encontrada morta com diversas facadas no dia 1º de novembro, na BR-163, no km 214, em Dourados. A polícia acredita que o namorado da vítima seja o autor do crime.  Até agora ninguém foi preso. 

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